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Pesquisador Emérito da IBM
fala sobre A Saúde Era do Conhecimento

O guru em Tecnologia da Informação, Jean Paul Jacob, será o primeiro palestrante do 36th World Hospital Congress, discutindo o tema central A Saúde na Era do Conhecimento. Conhecido mundialmente, Jacob, que é brasileiro, mas mora no exterior há 45 anos, responde, hoje, como Pesquisador Emérito, Divisão de Pesquisas da IBM, em Almaden, Califórnia. De acordo com ele, a inovação será o mote de sua fala durante o evento.

Jean Paul Jacob destacou a importância de o Brasil sediar um evento mundial na qual se discutirão questões de saúde. “O mundo vai olhar o Brasil de forma melhor, não do ponto de vista especulativo, mas como referencial de discussão sobre o setor. Enquanto isso, o brasileiro pensará em soluções para a saúde e não só em problemas”, ressaltou.

Ele lembrou que a área de saúde é a mais atrasada na questão de desenvolvimento tecnológico, mas isso se dá não por ignorância ou falta de investimento em pesquisas, mas por ser um campo mais complexo. “É mais difícil lidar com questões sobre o corpo humano e a vida do que com questões técnicas, como o meio ambiente, por exemplo”, disse.

A Era do Conhecimento
Jacob afirmou que nos últimos 15 anos, o mundo tem vivido o que ele chama de “bit bang”, com uma produção anual de 100 bilhões de bilhões de bites. Isto porque o computador tem sido utilizado para tudo, aumentando o número de informação disponível. “O bit bang mostra a quantidade de caracteres que estão sendo gerados na Internet anualmente. O aumento é assustador!”, afirmou.

“Existe tudo na Internet. O difícil é encontrar. Uma maneira de inovar é responder o que as pessoas querem”, alegou. Por meio da Internet, de acordo com Jacob, já é possível se fazer uma previsão de doenças, apenas buscando as três palavras mais pesquisadas nos sites de busca na última semana. “Ao invés de ir para a Wikipedia, é possível prever uma epidemia por meio do Google, pelo aumento das consultas - curvas de busca de palavras. E isso só aparece na Era do Conhecimento. Você não quer saber tudo no Google, mas as três palavras mais buscadas naquela semana. É só verificar o que os pacientes buscam em comum. Há muito conhecimento embutido em dados e informações”, lembrou.

A quantidade de informação e de dados produzidos, no entanto, não significa que a produção de conhecimento esteja mais acurada. “Passamos da era que os dados eram importantes. Hoje retirar algo certo, rápido e que tem valor, que é o conhecimento, é difícil. Por exemplo, se me perguntar se vai chover hoje posso te dar todas as fotos e dados dos últimos 50 anos, mas isso não interessa. Disso você extrai conhecimento, que é a nova moeda”, disse Jacob, enfatizando que não há como mensurar o valor do conhecimento, como é possível fazer no setor de serviços. “Vivemos de vender conhecimento. E o valor disso é imensurável. Diferente da economia de serviços. No Brasil, 60% do PIB vem do setor de serviços. Serviço você vende. Mas o conhecimento não tem valor agregado. Pode valer mais ou menos para quem precisa daquela informação”, explicou.

Nesse sentido, Jacob disse que o mesmo se aplica à saúde. “Se você vai ao médico, você espera que ele saiba o que você tem. E você paga pelo conhecimento que ele dispõe. Mas quanto mais o paciente participa do serviço, melhor será o diagnóstico”, argumentou. De acordo com ele, em uma economia de serviços, só se avança se forem criados novos mercados. Casando-se ao conhecimento, os serviços só se destacam se há inovação. “E isso é o que procuramos e é sobre isso que vamos falar”, adiantou.

Soluções
Jean Paul Jacob foi taxativo ao afirmar que a Saúde também tem de demonstrar inovação. “Vão inovar dentro do espaço de soluções possíveis para os problemas como, por exemplo, o que fazer com a dengue. O problema de água potável pode ser resolvido, por exemplo, com a nanotecnologia: desenvolve-se um canudo que filtra a água. Então, é preciso pensar em soluções possíveis, a partir das condições sócio-econômicas para inovar e resolver problemas”, disse.

Para ele, a reunião de representantes de vários países durante o 36th World Hospital Congress vai permitir a discussão, comparação de situações e – mais importante – a produção de conhecimento e de possíveis soluções para cada problema específico de cada região. “Nós temos grandes problemas distribuídos de forma geográfica.

Problemas localizados, que não escolhem país, mas regiões, com foco diferente em cada país, como é o caso do Brasil e dos países da região sub-saariana, que tem de lutar contra a dengue, a malária e a AIDS. É preciso descobrir uma solução específica para cada região”, ressaltou, dando como exemplo, o uso da tele-medicina, via celular, para países de grande extensão, como o Brasil, enquanto países pequenos terão de buscar outras tecnologias. “As soluções não são iguais em todos os locais. Depende da vontade sócio-econômica, cultural e política do país. Mas, juntos, esses países podem aprender que têm coisas em comum”, afirmou.