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A globalização na saúde será tema de debate no primeiro dia do IHF RIO 2009

Com palestra programada para o primeiro dia do IHF RIO 2009, o Superintendente Executivo do Instituto de Estudo de Saúde Suplementar (IESS), José Cechin, fará apresentação sobre a globalização na saúde. Ex-ministro da Previdência e Assistência Social, ele entende que a globalização acelerará os avanços tecnológicos, na sua incorporação, na transformação do paciente em consumidor informado e exigente em busca de valor.

1- Quais aspectos o senhor tratará na sua palestra em relação a globalização na saúde?
Vou argumentar que globalização na saúde é uma extensão e conseqüência da globalização geral. Globalização é a redução das barreiras à livre movimentação de mercadorias (defendida magistralmente por David Ricardo há quase 200 anos), de capitais, de serviços, de pessoas. Que a globalização foi facultada pelo enorme avanço nas comunicações que conectaram o mundo em tempo real, aceleraram a difusão de tecnologia, uniformizaram aspirações. Na saúde, a globalização das aspirações cria conflitos e exacerba tensões pois não vem acompanhada da globalização dos meios. Ou seja, as pessoas aspiram às últimas inovações, normalmente muito dispendiosas, e nem sempre compatíveis com as rendas disponíveis. A globalização e as tensões resultantes transformarão os consumidores de serviços de assistência à saúde, tornando-os mais informados e exigentes. Isso exigirá adaptações dos prestadores para que pautem suas ações na geração de valor, portanto com foco nos resultados e não mais somente nos meios. A apreciação que faço é positiva: a globalização acelerará as transformações que já se fazem sentir. Avançaremos mais rapidamente na geração de tecnologia, na sua incorporação, na transformação do paciente em consumidor informado e exigente em busca de valor.

2- Como essa globalização pode ajudar os brasileiros?
Adaptação por contágio - estar exposto ao que ocorre no mundo força adaptações no interior do País. Questões que estão submersas vão aflorar mais rapidamente e exigir soluções. As pessoas que tem aspirações globalizadas, semelhantes às que se observam no mundo mais rico e desenvolvido, impulsionam demandas - muitas justas e outras nem tanto por ainda estarem fora do alcance econômico da sociedade brasileira. Aqueles que tiverem acesso ao judiciário demandarão a satisfação de suas aspirações nessa instância. Isso traz o risco de discriminação - uns poucos passam a ter acesso a serviços ainda fora do alcance da maioria e por vezes obtém-se benefícios individuais às custas dos coletivos.

3- A gestão hospitalar brasileira está bem alinhada com o resto do mundo?
Haverá gestões excelentes em todas as partes do mundo, assim como deficientes. No Brasil, há exemplos de gestões adequadas. Posso citar boas gestões que conheço mais de perto: Centrinho de Bauru e o Sara Kubitscheck de Brasília. Trabalho recente do Banco Mundial comparou o desempenho de centenas de hospitais e constatou certos padrões: os índices de eficiência variam muito e dependem, no caso de hospitais públicos, do espaço de manobra que os gestores têm. Assim, por exemplo, hospitais com dotação orçamentária por item de despesas têm desempenho inferior aos que têm orçamento descentralizado e estes ainda inferior aos que têm orçamento global, podendo realocar os recursos conforme suas políticas. O trabalho não fez comparações entre países. Quanto à organização dos sistemas de saúde também há muita diversidade entre as nações. Não obstante o Brasil ter um sistema único (definido constitucionalmente), seu sistema de saúde mais se assemelha ao americano do que ao inglês ou canadense. As pessoas escolhem livremente os prestadores, dirigindo-se de imediato a especialistas e centros hospitalares. Dessa forma, faz-se um uso intenso dos recursos mais dispendiosos. Não há triagem prévia por clínico geral que pode com mais capacidade técnica orientar o uso das especialidades ou dos hospitais. Na Grã-Bretanha, por exemplo, a pessoa sempre se dirige inicialmente ao general practitioner a quem compete decidir se é o caso de recorrer a especialidades ou a hospitalização. Dessa forma, me parece que se faz um uso mais eficiente, com menores desperdícios, dos recursos da medicina.