Chefe da Divisão de Medicina Geral no Brigham and Women's Hospital,
em Boston, e diretor médico de Análise Clínica e da Qualidade
para Cuidados Médicos de Parceiros, David Bates abrirá o Pré-Congresso
Internacional de Acreditação, que acontecerá no dia 9 de
novembro, no Rio de Janeiro. Na conferência sobre Segurança do Paciente
– Alianças Mundiais, o Dr. Bates discutirá a evidência
dos benefícios potenciais da tecnologia da informação na
saúde para melhorar a segurança da medicação no Brasil
e em outros países. Em entrevista, o médico, que tem pós-doutorado
em medicina na Harvard Medical School e é colaborador externo do programa
de pesquisa para a Aliança Mundial de Segurança do Paciente da Organização
Mundial de Saúde, fala das pesquisas que vêm desenvolvendo para melhorar
a segurança do paciente. “Em cada país estudado até
agora, os pacientes são prejudicados às vezes pelo cuidado que recebem,
mesmo que de forma não intencional. Pelo menos um paciente a cada dez sofre
o dano inadvertido.”
Qual a importância e os benefícios da tecnologia da informação
para medir e melhorar a qualidade do atendimento dentro do campo da segurança
de medicamentos? O que deve ser observado para aumentar a segurança nesse
aspecto?
David Bates - A prescrição automatizada, em
particular, pode levar a uma redução maior na frequência dos
erros de medicação, aproximadamente 80%, em diversos estudos.
Que comprovações chegou com a pesquisa que fez para avaliar
a incidência e prevenção de eventos adversos em relação
ao uso das drogas?
D.B. - A pesquisa mostra claramente que a prescrição
automatizada reduz o risco de que aconteçam erros sérios na medicação;
Erros que podem prejudicar pacientes. A maioria dos estudos não foi suficiente,
porém, para avaliar o impacto nos eventos adversos da droga, que são
muito menos frequentes do que erros.
Que outras pesquisas desenvolveu ou vem desenvolvendo e que podem contribuir
para a segurança do paciente?
D.B. - A codificação em barras e as bombas de
infusão “inteligentes” (aparelhos utilizados para infundir
drogas ou nutrientes, com controle de fluxo e volume nas vias venosa, arterial
ou esofágica) são outras duas áreas que têm o potencial
de melhorar a segurança do paciente. O trabalho recente feito por nosso
grupo mostra que as medicações com código de barras podem
diminuir a frequência de erros, e o outro trabalho sugere que a taxa de
erro da administração seja igualmente mais baixa. As bombas de infusão
“inteligentes” são dispositivos que podem registrar que a medicação
está sendo infundida, e podem advertir a enfermeira se uma dosagem muito
elevada está sendo liberada.
O Senhor que já atuou em três centros de excelência,
que tipo de avaliação faz dos serviços de saúde da
América Latina, e em especialmente, do Brasil?
D.B. - É importante para o Brasil começar a
implementar algumas dessas tecnologias para melhorar a segurança do paciente.
As três com grande potencial de impacto parecem ser a prescrição
computadorizada, o código de barras e as bombas de infusão “inteligentes”.
Por que defende uma aliança mundial em saúde? O que é
preciso para que países como o Brasil possam participar dessa aliança?
D.B. - O problema da segurança do paciente é
um problema global. Em cada país estudado até agora, os pacientes
são prejudicados às vezes pelo cuidado que recebem, mesmo que de
forma não intencional. Pelo menos um paciente a cada dez sofre o dano inadvertido.
Contudo, muitas das soluções são comuns aos diversos países.
Assim, o Brasil pode aprender com as experiências de outras nações
a tornar o cuidado mais seguro para os seus pacientes.
Quais as novidades e/ou aspectos importantes que irá abordar no
Pré-Congresso Internacional de Acreditação, que tem com tema
principal Acreditação e Segurança do Paciente?
D.B. - Discutirei a evidência dos benefícios
potenciais da tecnologia da informação na saúde para melhorar
a segurança da medicação no Brasil e em outros países.
As tecnologias específicas enfocadas incluirão a entrada de ordem
computadorizada do médico, a codificação em barras de medicamentos,
as bombas de infusão “inteligentes”, e a monitoração
computadorizada para eventos adversos da droga.
Para participar da conferência Segurança do Paciente – Alianças
Mundiais é preciso se inscrever no Pré-Congresso Internacional de
Acreditação. Para inscrições feitas até o dia
31 de outubro o valor é 150 euros. Após essa data o valor passa
a 180 euros. Mais informações podem ser solicitadas através
do e-mail: rosangelaboigues@cbacred.org.br,
pelo site www.cbacred.org.br
ou pelos telefones (21)3299.8241/3299.8242/3299.8200. |