<< voltar
Conferência de abertura fala sobre o futuro da saúde na era do conhecimento

A conferência de abertura do 36º Congresso Mundial de Hospitais – IHF Rio 2009 recebeu mais de mil pessoas para a palestra do pesquisador emérito da IBM e cientista consultor da Universidade da Califórnia de Berkeley, Jean Paul Jacob. Guru da tecnologia da informação, Jacob falou sobre a interação entre a tecnologia e a medicina e mudanças que provavelmente acontecerão no futuro da saúde.
“A saúde vem bem mal na era do conhecimento, pois não estamos progredindo como em outras áreas”, disse. Por exemplo, já é realidade o rastreamento de alimentos como a carne, através da tecnologia de RFID (radio frequency identification), porém não temos ainda como confirmar a origem e autenticidade de um remédio. “Essa é uma questão fundamental para evitarmos a falsificação, um problema comum e grave.”

Jacob explicou que a medicina ainda não adotou todos os avanços e tecnologias de informática e contou sobre sua experiência com um aparelho portátil para teste de coagulação. “Já melhorou, pois não preciso mais ir ao hospital para verificar se estou tomando o remédio na dosagem certa, já que me emprestaram o aparelho. Porém, ainda preciso ligar para uma central, passar a informação que será enviada para o médico por fax ou e-mail”, explica. “Com a tecnologia Bluetooth, a mensagem poderia ir direto do aparelho para o médico, com muito mais velocidade”, conclui.

A tecnologia e a saúde
Segundo o cientista, o profissional médico ainda utiliza muito papel na sua rotina: são prontuários, receitas, arquivos. “Um painel de instrumentos do paciente poderia trazer todas as informações, como estado de saúde, alergias, exames que devem ser feitos, cirurgias, medicamentos que o paciente toma e informações de todos os médicos a que já foi”, disse. “Cem mil pessoas morrem por erro médico por ano nos Estados Unidos e a tecnologia poderia ajudar muito a reduzir esse número.”

Jacob comenta também que já monitoramos nosso carro – óleo, air bag e temperatura do motor -, mas não o motorista. “Uma life shirt poderia monitorar o corpo e transmitir os dados para um computador ou celular e, em caso de perigo, a pessoa poderia procurar um hospital a tempo.”


O futuro
Em sua base de trabalho na Califórnia, o brasileiro que vive nos Estados Unidos há quase cinqüenta anos passa seu tempo pensando o futuro e desenvolvendo soluções para tornar a vida das pessoas mais fácil, moderna, prática e saudável. Para a saúde, Jacob aposta na portabilidade e na individualidade. “Hoje, o remédio cura doenças. No futuro, curará pacientes e será desenvolvido especialmente para cada pessoa através da decodificação genética”, prevê Jacob.

Entre as inovações que poderiam ser usadas para a saúde, o cientista cita a telemedicina, os jogos eletrônicos e os mini-projetores. “Desenvolvemos um microscópio com celular, pensado para a detecção de malária e tuberculose.” O equipamento funciona de forma simples: captura as imagens dos componentes do sangue e envia para um computador ou especialista que, por sua vez, envia o diagnóstico de volta para o celular.

O Google, ferramenta de busca de informações e sites na internet, já pode ser utilizado como importante forma de prever epidemias, de acordo com Jacob. “Como? Você me pergunta. As pesquisas na página do Google mostram que a busca por palavras-chave cresce em média 15 dias antes do início da epidemia”, explica. “Vivemos em uma época em que há informação em todo lugar, mas o que faz a diferença é o conhecimento e a inovação, ou seja, aquela invenção que é boa comercial e socialmente”, conclui.