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Tecnologia e o acesso global à saúde

A realidade da tecnologia na saúde nos países em desenvolvimento e algumas possibilidades para um acesso global. Esse foi o tema apresentado pela diretora da OMS (Organização Mundial de Saúde) Dra. Carissa Etienne na sessão plenária “O futuro da tecnologia da saúde na era do conhecimento” durante o Congresso Mundial de Hospitais IHF Rio 2009, no dia 10, no Rio de Janeiro.
Conforme explicou a diretora da OMS, o envelhecimento da população está acontecendo de maneira muito rápida, o que tem impacto na demanda por saúde e no avanço das doenças. “Não estamos só vivendo mais, mas também estamos mais urbanos, o que deve ser levado em consideração para os planejamentos de saúde”, explicou.

Hoje, milhões de pessoas não têm acesso à saúde e a tecnologia é um elemento fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (estabelecidos pelas Nações Unidas para o desenvolvimento e a erradicação da pobreza). “Eu acredito que a tecnologia é capaz de atender às crescentes necessidades por saúde”, disse a Dra. Carissa.

A questão, como explicou a diretora da OMS, é ter a tecnologia certa no lugar certo. “Os avanços podem levar saúde para muitas pessoas que não têm, mas precisamos nos perguntar o que esperamos de nosso serviço de saúde.” Segundo ela, as expectativas são: viver mais e melhor, ter os remédios certos, ter autoridades que se importem, tratar pacientes como seres humanos e não só como casos, além de acesso a tratamento de qualidade para todos. Assim, um dos maiores desafios da saúde está relacionado a recursos humanos. “Os profissionais não estão distribuídos de forma equilibrada e os países não gastam o suficiente em saúde.”

A tecnologia já beneficiou muitos pacientes com cirurgias não invasivas, resultados em tempo real e integração de informações, mas algumas práticas absurdas ainda acontecem. “Estamos na onda da doação, quando países desenvolvidos enviam equipamentos que não querem mais para países em desenvolvimento, mas sem as instruções, condições de uso ou com a voltagem errada. Já vi equipamentos caríssimos virarem mesa ou acumularem pó num corredor”, conta.

“A tecnologia da saúde tem a resposta para muitas necessidades da saúde, mas precisamos fazer o nosso trabalho bem feito”, completou. Para finalizar, a Dra. Carissa lembrou que as pessoas são o motivo da existência do serviço e é isso que os sistemas de saúde precisam levar em conta.