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Sociedade Aberta - Saúde ideal

*Por José Carlos Abrahão

RIO - Todos querem a saúde ideal. Seja na esfera pública ou na rede privada, os brasileiros precisam ter seus problemas resolvidos de maneira rápida e segura. Não são poucos os casos publicados constantemente em manchetes de jornais relatando problemas na relação médico, hospital e pacientes. O mais recente, do plantonista do Hospital Miguel Couto, na Zona Sul carioca, que escreveu nos braços de gestantes o nome da maternidade para onde elas deviam buscar socorro, nos faz refletir. O que fazer para se chegar a um patamar satisfatório em um país com 58 mil serviços públicos de saúde e outros 141 mil privados, além de mais de 1.700 planos de saúde, gerando 2,5 milhões de postos de trabalho diretos e outros 5 milhões indiretos? A solução passa pelo aprimoramento da gestão do sistema, dos serviços e do incremento da tecnologia. Ações nesse sentido incluem desde profissionais bem treinados com salários adequados, até a redução da carga tributária para o desenvolvimento da rede privada, beneficiando um número maior de pessoas.

Embora os entraves ainda sejam muitos, nos últimos anos presenciamos algumas vitórias no setor. Entre elas está a manutenção da alíquota antiga da Cofins para todos os estabelecimentos de serviços de saúde, além da correção de alguns valores na tabela do SUS. Há ainda no Congresso Nacional vários projetos de lei, como o da criação do Sistema S da Saúde – o Sess/Senass – que atualmente encontra-se em tramitação na Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. Todos esses temas são preocupações das principais entidades de saúde do Brasil. Temos consciência, no entanto, de que esta é uma luta longa e desgastante. Para obter melhores resultados, necessitamos de uma união ainda maior, que permita sempre um diálogo franco, aberto e democrático entre todos os integrantes do nosso sistema, sem esquecermos do povo brasileiro, principal interessado nessa questão.

Assim, poderemos mostrar que a saúde brasileira não vive somente da redução do número de leitos e do fechamento de unidades. Com expansão comprovada pelo aumento de postos de trabalho, a criação de novas unidades e, consequentemente, aumento no percentual do PIB brasileiro, o setor tem motivos para se orgulhar. Em novembro, no Rio de Janeiro, durante o 36th World Hospital Congress (IHF RIO 2009), congresso internacional de hospitais que acontecerá pela primeira vez na América Latina, pelo menos 600 representantes dos mais de 100 países filiados à Federação Internacional de Hospitais conhecerão “a saúde brasileira que dá certo”, como os programas referência no tratamento da Aids e antitabagista. Isso sem contar o nosso modelo de integração entre as saúdes pública e privada, no qual também somos destaque. Atualmente, acompanhamos a efetiva participação dos governos federal, estadual e municipal no combate ao novo vírus influenza A (H1N1). A união dos hospitais da rede pública com a rede privada resulta no desenvolvimento de uma infraestrutura semelhante à montada nos casos de epidemia de dengue, possibilitando ações eficientes de atendimento à população. Ou seja, será a oportunidade de mostrar o que o Brasil vem realizando, em saúde, um sistema que atende a 190 milhões de cidadãos, sem excluir ninguém.
* José Carlos Abrahão é presidente da Confederação Nacional de Saúde e presidente designado da International Hospital Federation

30 de julho de 2009 - Jornal do Brasil